Isoptera
Trabalha por dentro e em silêncio. Quando a madeira cede ou aparece pó no rodapé, a colônia já está instalada há bastante tempo.
O cupim operário é claro, quase translúcido, e foge da luz. O que a maioria das pessoas vê é o cupim alado — o aleluia ou siriri — que sai em revoada após chuvas fortes, voa em torno das lâmpadas e perde as asas no chão. Existe uma diferença prática importante: o cupim de madeira seca vive inteiramente dentro da peça atacada e deixa um pó fino parecido com serragem; o subterrâneo mantém contato com o solo e constrói tubos de terra subindo pelas paredes.
Muita gente acha que o inseto que voa em volta da lâmpada é um bicho diferente do cupim que come a madeira. É o mesmo animal. O aleluia — também chamado de siriri, cupim de asa ou cupim de revoada — é a fase reprodutiva da colônia.
Numa colônia de cupim existem castas: os operários, que consomem a celulose e causam o estrago; os soldados, que defendem; e os alados, os únicos com asas e olhos desenvolvidos. Eles não comem madeira nem picam. A função deles é uma só: sair, acasalar e fundar uma colônia nova em outro lugar.
Por isso a revoada não é o começo do problema. É o sinal de que uma colônia por perto já está madura o suficiente para se reproduzir — o que leva anos.
Na nossa região a revoada se concentra na primavera e no início do verão, aproximadamente de setembro a janeiro, com o pico entre outubro e dezembro. O gatilho não é a data no calendário e sim a combinação de três fatores:
Como são atraídos por luz, aparecem em volta de lâmpadas, postes, varandas e janelas iluminadas. Voam mal e por pouco tempo: em seguida perdem as asas, e é por isso que no dia seguinte o chão amanhece coberto de asinhas transparentes.
Apague as luzes externas e feche as janelas por algumas horas, ou deixe acesa apenas uma lâmpada longe da casa para concentrá-los ali. Um recipiente com água embaixo dessa luz reduz bastante a quantidade que entra. Não use inseticida em spray no meio da revoada: não resolve, porque os que estão voando já saíram da colônia — e a colônia continua onde sempre esteve.
O passo que realmente importa vem depois. Varrer as asas e seguir a vida é o erro mais comum. Se houve revoada no seu imóvel ou muito perto dele, existe colônia madura na região, e vale inspecionar madeiramento de telhado, batentes, rodapés e móveis antes que o dano apareça sozinho.
Fazemos a inspeção, localizamos a colônia e indicamos o tratamento correto para a espécie.
O prejuízo é patrimonial e pode ser grave. O cupim consome a madeira de dentro para fora, mantendo intacta apenas uma casca fina na superfície — por isso a peça parece boa até o dia em que cede. Em madeiramento de telhado, o risco vai além do custo da troca e passa a ser de segurança estrutural. Cupins não transmitem doenças nem picam.
Não existe tratamento único: identificamos a espécie antes de qualquer aplicação, porque cupim de solo e de madeira seca exigem métodos diferentes. As opções vão da barreira química no solo à injeção localizada de inseticida na madeira, ou a combinação das duas quando o ataque veio de fora e já entrou na estrutura. Passar óleo queimado, diesel ou verniz — prática ainda comum — não elimina a colônia e compromete a peça.
Fazemos a inspeção, identificamos a origem e indicamos o tratamento correto.